Caderno 2 — Que corpos contam? Cuirografia de masculinidade e poder

O Caderno 2, Que corpos contam? Cuirografia de masculinidade e poder, propõe uma cuirografia de masculinidade e poder — uma escrita cuir que interroga como a masculinidade hegemónica funciona não apenas como norma cultural, mas como regime material que produz, hierarquiza e descarta corpos. A partir de uma articulação entre a teoria das masculinidades, a interseccionalidade, o realismo agencial e as epistemologias feministas, o caderno percorre cinco textos que vão do estrutural ao encarnado: da fábrica que produz o “homem legítimo” aos corpos abjectos que a hegemonia precisa de criar, da igualdade formal portuguesa que deixa vidas cuir de fora ao testemunho situado de um corpo negro e cuir, até à pergunta onto-epistemológica sobre quem pode conhecer a discriminação e a partir de que posição. Este caderno nasce da reescrita política de um trabalho académico — não para o esconder, mas para o libertar da armadura institucional e o devolver ao lugar onde sempre quis estar: nas margens, onde o pensamento corta mais fundo.

Texto 1 — A fábrica da masculinidade

Como a masculinidade hegemónica produz os corpos que contam

A masculinidade hegemónica não descreve um tipo de homem — descreve uma máquina. Este texto abre o caderno com uma declaração de posição: a hegemonia masculina é um regime material que define que corpos contam, que vidas são reconhecidas e que identidades podem existir sem risco de violência.

A publicar brevemente…

Texto 2 — Os monstros da masculinidade

Que corpos abjectos precisa a hegemonia de criar?

A hegemonia não se limita a excluir — precisa de fabricar aquilo que exclui. Este texto analisa as masculinidades cuir — gays, bissexuais e trans — como fronteira constitutiva da masculinidade hegemónica, mostrando como a abjecção é condição de funcionamento e não efeito residual do sistema.

Texto 3 — Portugal, país de direitos (para alguns)

Quem fica de fora quando o Estado celebra a igualdade?

Portugal celebra-se como país de direitos LGBT+. Mas quem é que esses direitos realmente protegem? Este texto confronta a igualdade formal com a exclusão material que persiste nas vidas de pessoas trans migrantes, LGBT+ racializadas e não-binárias precárias.

Texto 4 — A pele negra e a máscara arco-íris

O que um corpo negro e cuir sabe sobre hegemonia e dissidência

A partir do testemunho de Anthony Vincent, este texto lê a intersecção entre racialização, performatividade cuir e violência simbólica num corpo que intensifica a sua dissidência como escudo contra a vigilância racial — e descobre que nenhum campo o reconhece inteiramente.

Texto 5 — Quem sabe o que dói?

O corpo que sabe e o poder que o produz

Quem produz conhecimento sobre discriminação? A partir de que corpo? Este texto fecha o caderno com uma interrogação onto-epistemológica, retomando Vincent como sujeito de um saber que a objectividade dominante não consegue ver — porque conhecer, aqui, é uma questão de carne e não de distância.

Texto 6 — Leituras

Bibliografia comentada do caderno, reunindo as referências mobilizadas ao longo da série e situando politicamente as filiações intelectuais que sustentam esta cuirografia.


Por Orlando Figueiredo, desde as margens.


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