Kuir - cultura e inspiração Cuir

ontoepistemologia


Uma bibliografia comentada do caderno

Este caderno não escolheu as suas referências por acaso. Cada texto aqui mobilizado representa uma filiação intelectual e política — uma escolha sobre quem merece ser lido, citado e colocado em diálogo. A teoria das masculinidades de Connell, o realismo agencial de Barad, a intersecionalidade de Crenshaw, os conhecimentos situados de Haraway, o testemunho de Vincent — são vozes que vêm de tradições diferentes, de posições diferentes, de corpos diferentes. O que as une é a recusa da neutralidade: todas partem de algum lugar, todas têm uma posição, todas produzem conhecimento a partir de uma aposta política sobre o que importa pensar e por quê.

Esta bibliografia é também uma cuirografia — uma escrita situada das leituras que tornaram este caderno possível. Não é exaustiva. É honesta.

Leia mais...

O corpo que sabe e o poder que o produz

Anthony Vincent está na rua. Já o vimos. Sabemos o que o seu corpo decide antes de pensar. Mas há uma pergunta que o gesto de Vincent abre e que este caderno deixou em suspenso até agora: o que sabe ele, exactamente? E por que é que esse saber — tão preciso, tão situado, tão encarnado — não é reconhecido como conhecimento pelos regimes que produzem verdades sobre discriminação, sobre desigualdade, sobre vidas cuir?

Esta é a pergunta onto-epistemológica que fecha este caderno. Não uma pergunta sobre sentimentos, nem sobre experiências individuais. Uma pergunta sobre poder: quem produz conhecimento legítimo sobre a discriminação? A partir de que corpo? Com que instrumentos? E ao serviço de que interesses?

Fotografia de George Kondylis (2020) — Uso gratuito sob Licença Pexels.

Leia mais...